O 1° Jantar Nómada by LNL: Restaurante Luau Restaurantes

Restaurante Luau, Maianga, Luanda - Luanda
 04/06/2019

Passado que foi o primeiro Jantar Nómada by LNL e estando em preparação o segundo, cremos estar em tempo de vos dar a conhecer a nossa opinião, é para isso o LNL existe, da gastronomia, dos vinhos, do serviço e do evento no seu todo.

Estes jantares exigem a presença atempada de todos os intervenientes uma vez que cada prato e cada vinho servido é devidamente apresentado. Neste caso, só temos de agradecer a todos a sua pontualidade. Os tempos e a qualidade de serviço não tiveram mácula e houve realmente um ambiente de slow food, absolutamente necessário neste tipo de realizações. No entanto, tendo em atenção uma chamada de atenção por parte de alguns participantes, iremos, no futuro, tentar acelerar um pouco estes jantares, sendo que temos bem noção que acabar muito antes das 23 será sempre uma tarefa hercúlea.

De exaltar o excelente ambiente conseguido, com muito boa disposição e lindos sorrisos por todo o lado. Foram fantásticos, havendo sempre um sorriso genuíno de compreensão para todas as coisas menos boas que sempre acontecem. Gratos por isso.

Passemos agora a descrever o que sempre nos motiva a ir a estas coisas, a comida e os vinhos escolhidos para a acompanhar. O Welcome Drink foi entregue a um vinho muito apropriado para este efeito, um Asti Rosé da Martini.

Asti é uma região lindíssima no coração do Piemonte, muito famosa na Idade Média, estando isso bem presente na sua arquitetura medieval onde as torres ainda fazem a sua presença. A cidade de Asti era conhecida como a cidade das 100 torres (na verdade chegou às 120). Atualmente a cidade é mais conhecida pelo seu espumante, usualmente branco, produzido na sua essência com Moscatel Bianco. Pessoalmente prefiro o rosé, pois a utilização necessária de uma casta tinta para lhe dar cor também lhe diminui a componente aromática, que é exuberante nas castas moscatéis. Este Martini em particular foi uma aposta ganha, pois apresenta doçura, acidez e um bouquet muito equilibrado que creio ter agradado a todos.

Para acompanhar a entrada foi escolhido um espumante da Cartuxa, que sendo de 2012, foi recentemente libertado, isto porque passou cinco anos em estágio após a fermentação em garrafa. A sua cor não demonstra a idade, estando apenas ligeiramente dourado, assim como o não demonstra os aromas e o paladar. Complexo e discreto, o seu aroma mostra-se no paladar dessa forma, suavemente. Talvez por isso tenha sido tão penalizado pela acidez da Mousse de abacate com salmão fumado, o primeiro prato. Para que houvesse uma melhor harmonização seria bom que se sentisse mais o abacate e a sua gordura. Individualmente o prato foi muito apreciado apesar da apresentação em copo ter complicado a vida aos comensais no corte do salmão.

O momento seguinte foi o melhor conseguido no que diz respeito à maridagem, tendo mesmo deixado surpreendida uma boa parte das pessoas que provaram o Pessoa, um vinho verde feito com Alvarinho, Loureiro e Trajadura. A imagem pouco heterogénea que existe dos vinhos verdes não é a real e isso viu-se neste belíssimo vinho, que traduz na modernidade o que bem se fazia na antiguidade. Ligou esplendidamente com a Corvina que estava cozinhada na perfeição e até com o puré de ervilhas, mais amargo que o esperado por mim.

Para o momento seguinte resolvemos fazer uma brincadeira apresentando dois vinhos tintos bastante diferentes, um do Dão, o T-Nac 2010 da Qta da Falorca e um italiano da Sardenha, o Boccantino Cannonau Reserva 2015. Pedimos a toda a gente para provar os vinhos antes da comida e depois com a comida. O objetivo era o de mostrar que os vinhos se apresentam de forma diferente em circunstâncias diferentes e por isso ter opiniões objetivas e definitivas sobre vinhos não é boa ideia.

Ele foi plenamente conseguido, pois apenas três meninas continuaram a preferir o italiano, a maioria mudou e com a comida passou a preferir o português, que aguentou melhor o embate da perdiz com cogumelos. Neste prato, que nos surpreendeu pela apresentação de uma perdiz inteira, fazendo a imaginação recuar aos tempos medievais, pecou pela secura da ave, algo que teria podido ser evitado se tivessem trabalhado a carne da perdiz depois de desossada. Era o que esperávamos e seria até mais proveitoso, não deixou no entanto de ser uma experiência gira.

Para finalizar tivemos um momento doce, uma pana cotta com molho de frutos silvestres em substituição dos loengos, que resolveram fugir, com muita pena nossa (infelizmente já estavam fora de época). Não só por ser um fruto local, mas também por ter uma acidez supimpa para ligar com o Porto Vintage 2015 da Qta do Vale Meão, uma das mais icónicas vinhas do Douro, que apresentou as tradicionais frutas negras de um vintage novo com o power típico de um vinho fortificado. Foi um final doce para um jantar cheio de docilidade.

NOTA: Estes artigos serão escritos a quatro mãos de forma a transmitirmos as várias sensibilidades colhidas durante o evento. Alguma incoerência pode pois aparecer na apreciação de algumas situações. 

Sobre os Jantares Nómadas by LNL: É uma nova colaboração entre o LNL e o Clube Nómada, do conhecido escanção Hildérico Coutinho, onde saem todos a ganhar: o LNL escolhe o restaurante, o chef escolhe os pratos, o Clube Nómada escolhe os vinhos e você, leitor, usufrui! Como funciona: durante o jantar é servido um menu de degustação de 4 pratos; cada prato é harmonizado com um vinho diferente. Pelo caminho há sempre algumas supresas...

O próximo Jantar Nómada by LNL é no dia 13 de Junho, no K Paz Flor.

Características

  • Eventos
  • Experiência Premium
  • Ocasiões especiais
  • Vinho a copo

Cozinhas

  • Angolana

Localização

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