Degustações na Chicala Restaurantes

Degustações na Chicala, Chicala, Luanda - Luanda
 19/09/2018

1 Setembro, 2015

Por Hildérico Coutinho 

Depois de me ter ouvido, por bem mais de uma vez, tecer elogios à qualidade da assadura dos peixes da Blandini, foi o Claudio a propor uma operação concertada de ataque à Barraca da Blandini, onde além dos vinhos também os copos tiveram de ir a reboque, o que, diga-se de passagem, não beliscou nem por um momento o semblante da nossa simpática anfitriã.

A Barraca da Blandini fica no mais improvável dos destinos no que à excelência diz respeito, a Chicala I, uma zona esburacada e poeirenta, que ainda assim é bem melhor que a lama negra bem desagradável do tempo das chuvas. Fica logo a seguir ao Instituto de Planeamento e Gestão Urbana de Luanda, local mais irónico para este instituto era difícil de arranjar.

Chegámos um pouco antes da hora combinada, isto é, eu e a minha mulher, os outros foram chegando ao longo dos 45 minutos seguintes. Trazíamos as nossas garrafitas e os necessários copos para degustar os vinhos que levávamos e encontrámos uma mesa imensa, muito maior que o pretendido num ambiente bem romântico, com toalha vermelha, copos com guardanapo e uma penumbra deliciosa, que nada teria a ver com o facto de não haver eletricidade… Questão resolvida com a ajuda das lâmpadas de LEDS dos nossos amigos chineses.

Após a chegada de mais dois amigos, abrimos as hostilidades e começamos a degustar um rosé da Herdade do Rocim, o Mariana 2014, um vinho muito idêntico à primeira versão de 2013, ou seja, pouca extração ficando por isso com uma cor pálida na linha dos rosés da Provence, mas com uma doçura que não é assim tão típica dos rosés daquela região. Já com a presença dos restantes comensais seguiu-se o Caiado Branco 2014, um vinho elaborado com castas tradicionais alentejanas com destaque para a Antão Vaz e que se mostrou muito equilibrado entre a frescura e o corpo tradicional desta região graças a um frutado muito agradável.

Seguiu-se o Q do B 2009 da casta Bical, um branco da Quinta do Encontro da Bairrada com uma oxidação acentuada e onde o mel predominava demais retirando frescura ao vinho, não deixando no entanto de ser agradável. Estes dois vinhos acompanharam um choco grelhado que pedimos para ser devidamente trinchado e temperado, o que foi feito de uma forma irrepreensível. Tenho receio muitas vezes de pedir este prato por sistematicamente assassinarem o bicho queimando-o demais, secando-o e além de ficar elástico fica a saber a carvão. Nada disso aconteceu aqui, mostrando um molusco delicioso no sabor e textura.

Para o segundo prato e não vale a pena pensar em pedir mais, pedi que em vez de um peixe grelhado fossem servidos três diferentes com a condição de um deles ser carapau. Porquê? Porque este foi o peixe que mexeu comigo quando aqui cheguei como dizem os nossos amigos brasileiros. Mexeu comigo porque, ao contrário do que eu costumava comer em Portugal, o carapau aqui tem o dobro do tamanho e isso faz toda a diferença, a textura é outra, o sabor atenuado quase poderíamos dizer acetinado e a suculência é fabulosa, mas há um cuidado a ter e é fundamental, nãocozinhar demais o peixe. Era isto que eu queria mostrar ao Cláudio, mas infelizmente o tamanho do bicho não era conforme as minhas expectativas e bolas … fica para a próxima. Para compensar, o cachucho e o calafate, de tamanho considerável, estavam grelhados na perfeição e de sabor correspondentemente brilhante. O feijão em óleo de palma estava, como de costume, delicioso e com isso eu de pouco mais preciso, apesar de os costumeiros acompanhantes também estarem disponíveis.

Para acompanhar estes peixões foram servidos aqueles que foram os vinhos da noite, que me desculpem os outros companheiros de viagem mas foram os meus, o primeiro o Quinta da Pedra 2010 um Alvarinho que é já considerado como um dos melhores em Portugal e que se apresentou em bom nível apesar de eu preferir a colheita de 2011 onde a fruta está mais presente. O outro simplesmente arrasou, um Riesling de 2004 que eu tenho acompanhado há seguramente 9 anos e tem evoluído deliciosamente. O vinho tem um nome pomposo Dr. Von Bassermann-Jordan Forster Jesuitengarten da região alemã de Pfalz.

Depois de todo este despautério e para acalmar algumas gargantas mais sequiosas foi aberto o último branco da noite que parece, ninguém tinha muita vontade de abrir, um Monte Velho de 2013 que foi deixado quase intacto e isso diz tudo…

Características

  • Bom e barato
  • Bom para grupos
  • Comida de rua

Cozinhas

  • Angolana

Localização


Chicala

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