O 4° Jantar Nómada by LNL: Oon.Dah Restaurantes

Shopping Avennida, Luanda
 08/09/2019

Ainda estamos um pouco banzados com a adesão que tivemos neste último jantar nómada por estarmos em pleno Agosto, mas por certo que o local escolhido terá alguma coisa a ver com a coisa.

Oon.dah é um nome com história na restauração luandense e se no passado detinha um dos locais mais bonitos que já vimos como espaço de restauração, neste momento tem ao seu dispor um local extremamente versátil e está inserido numa estrutura que dá toda a comodidade de estacionamento e segurança aos seus clientes. Perdeu parte da beleza, ganhou versatilidade.

Os dois chefes de cozinha, de origens bem remotas, dão garantias de algum exotismo à sua cozinha e estiveram ambos em bom nível neste jantar: Naray Rana do Nepal e Mohammed Irschard da Índia.

O jantar começou com um welcome drink baseado no Martini Royale Rosato graças a uma diligente e sempre de louvar pesquisa dos barmen da casa. Servido on the rocks com um gomo de laranja, fez-nos lembrar um dos cocktails mais servidos no norte da Itália, o Aperol Spritz. Gostoso!

Para acompanhar a entrada, Salada Som Tam Gung de inspiração asiática onde o picante e a doçura se misturam maravilhosamente, escolhemos um Sauvignon Blanc da região de Lisboa, o São Sebastião colheita de 2017. Esta casta tradicionalmente ajusta-se bem a estas comidas asiáticas e não foi desta vez que foi uma exceção, mesmo que o perfil do vinho não fosse o mais usual da variedade. Na verdade, o vinho começou por se mostrar algo desequilibrado e o aroma a flor de sabugueiro, ligeiramente vegetal, aproximava-se de uma forma algo vaga do perfil francês e longe do mais aclamado e agradável perfil neozelandês. O equilíbrio apareceu com a comida tendo-se encaixado na perfeição nos aromas e sabores da salada de camarão.

A falha neste jantar ocorreu no intervalo entre os dois primeiros pratos e a culpa maior terá de ser assacada a nós mesmos, pois não fizemos o briefing como se exige e não resolvemos bem uma situação de errada utilização do copo para a água. Esperemos que sirva de emenda.

O prato que se seguiu incluiu um peixe cozinhado na perfeição, Garoupa ao Limão e Manteiga com Legumes Salteados. O vinho escolhido para este prato foi o Monte da Ravasqueira Superior 2016, um vinho de estrutura média para casar bem com um prato de intensidade média. Pretendia-se um vinho com algumas notas de madeira mas sem exageros e isso foi plenamente conseguido neste vinho ao estagiarem em carvalho francês apenas 20% do vinho. Elaborado com Alvarinho (30%), Viognier (30%), Arinto (20%) e Semillon, estou em crer que terá sido esta última casta, conhecida pela sua boa ligação à madeira a estagiar nas barricas. A harmonização esteve ótima e o vinho foi para muitos a surpresa da noite, tendo sido mesmo aquele que mais pedidos de compra suscitou.

Mas se aquele foi o mais solicitado, o mais bebido foi sem dúvida a estrela da noite, o Quinta do Vallado Reserva Field Blend 2016, um tinto oriundo de vinhas com mais de 100 anos e, tal como era costumeiro, apresenta uma diversidade brutal de castas, estando já identificadas mais de trinta. Este é pois um dos raros vinhos que pode mostrar o que seriam os vinhos do Douro há uns séculos atrás.

Este vinho foi pontuado pela Wine Advocat em 95 pontos, um dos melhores resultados já obtidos pelos vinhos portugueses. Ainda está uma criança e por isso os taninos ainda mostram a sua garra, arranhando na garganta… Um vinho que vai por certo evoluir muito bem no futuro e que se bebe com muito prazer desde já e acompanhou um muito bem confecionado Teriyaki Lombo de Carne Grelhada com Puré de Batata, onde a carne estava suculenta e tenra, tendo conseguido agradar a quem gosta de carne mal passada e a quem gosta dela bem passada. Notável.

Para a sobremesa estava reservado um momento alto, Banana Caramelizada com Biscoito Oreo e Gelado de Baunilha. Onde ficou provado que uma boa bolacha é boa em todos os contextos, pois a Oreo mostrou uma bela harmonização com a banana caramelizada e o gelado apesar de benéfico nem precisaria estar lá. Esta delícia ligou lindamente com o Moscatel de Setúbal José Maria da Fonseca 2012, um vinho com apenas alguns pares de anos de estágio mas já a mostrar uma muito boa complexidade aromática faltando-lhe apenas um final de boca mais prolongado, apanágio de moscatéis mais velhos.

Para terminar a refeição e acompanhando o café, tivemos o privilégio de ter, desta vez, um whisky de 12 anos da Dewar’s, uma bem conceituada casa escocesa que apresenta neste caso um muito equilibrado whisky misturando o “grain whisky” com o “malt whisky”. Um belo final para mais uma bela noite.

Obrigado a todos pela paciência e boa disposição. Até breve!

NOTA: Estes artigos serão escritos a quatro mãos de forma a transmitirmos as várias sensibilidades colhidas durante o evento. Alguma incoerência pode pois aparecer na apreciação de algumas situações.

Sobre os Jantares Nómadas by LNL: É uma nova colaboração entre o LNL e o Clube Nómada, do conhecido escanção Hildérico Coutinho, onde saem todos a ganhar: o LNL escolhe o restaurante, o chef escolhe os pratos, o Clube Nómada escolhe os vinhos e você, leitor, usufrui! Como funciona: durante o jantar é servido um menu de degustação de 4 pratos; cada prato é harmonizado com um vinho diferente. Pelo caminho há sempre algumas supresas...

Características

  • Estacionamento
  • Evento profissional
  • Eventos
  • Experiência Premium
  • Jantar romântico
  • Ocasiões especiais
  • Preferido do LNL
  • Vinho a copo

Cozinhas

  • Fusão

Localização

Comentários (1)

  • David ZangãoSet 2019

    Prezados, Gostaria de ser notificado sobre os eventos e inaugurações em Luanda e arredores. ex. jantar nómada. obrigado

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