O 6° Jantar Nómada by LNL: Embarcad'ouro Restaurantes

Restaurante Embarcad'ouro, Samba, Luanda - Luanda
 08/11/2019

Já o tínhamos dito nas nossas comunicações aquando do lançamento deste evento e confirmou-se. Dificilmente alguém que venha a este restaurante sairá a dizer que a comida era má e sem sabor. Pode ter defeitos em termos de serviço e até, como alguém me confidenciou, receber a comida algo fria, mas o motivo não poderá ser o que ela alegou, a distância da cozinha para a sala. Na verdade a cozinha está a apenas uns metros do bar da sala e por conseguinte terá de ter sido outro o motivo de tal falha.

Mas desta vez ninguém reclamou da temperatura dos pratos e não nos lembramos aliás de nenhuma reclamação digna de registo, o que pudemos observar foi uma excelente boa disposição em todos os comensais, mas vamos então à descrição dos beberes e comeres…

Começamos por dar as boas-vindas com o Borba Rosé 2017, que graças a um bom equilíbrio entre a fruta, a doçura e a acidez satisfez-nos muito bem. No entanto, com a chegada da comida - Salada morna de Lagosta com Citrinos e Vinagre Sésamo - e do concorrente francês o panorama mudou substancialmente. Apesar de uns quantos se terem mantido fieis ao Borba, a maioria descaiu para o vinho rosé do Loire: Joseph Mellot – Sancerre – Le Rabault 2016, um vinho que melhorou claramente desde a primeira vez que o provamos. Este ano que passou em garrafa aqui por Luanda fê-lo perder alguma austeridade e secura que apresentava, algo aliás muito comum em rosés de Pinot Noir, uma casta brilhante para fazer rosés dada a sua elevada acidez natural e dificuldade em dar cor aos vinhos, o que dá liberdade aos enólogos para fazerem maturações mais prolongadas do que com outras castas mais colorantes. Esta será porventura a casta mais usada a nível mundial para fazer rosés e se contarmos com o vinho espumante então aí não nos restam dúvidas. Ótima ligação também com o prato tanto por um como pelo outro rosé.

De seguida entraram os brancos em ação, ambos com Sauvignon Blanc, um a 100% e outro usando esta como a sua principal casta. Um veio de França, do Vale do Loire, o outro veio da região mais cosmopolita de Portugal, Lisboa pois claro. Ambos foram servidos imediatamente antes do Arroz de Cherne escalfado com Tomate crocante e Quiabos ter vindo para a mesa, que estava por sinal magnífico. O Qta de S. Sebastião 2016 mostrou-se algo fechado e com alguns aromas menos bem integrados e por isso não foi de estranhar a preferência generalizada pelo Sancerre: Joseph Mellot – La Chatellenie 2016, um vinho que está a evoluir muito bem, como o seu irmão rosado, mas este a um nível muito mais elevado. Não nos surpreende dada a conhecida qualidade da região para produzir vinhos brancos desta casta, onde aliás nasceu, ou por ali perto…

O momento seguinte foi iniciado com Medalhões de Novilho grelhados com Frutos do bosque selvagens, mas quem acabou a dominar foi o vinho da Quinta da Ravasqueira, o Vinha das Romãs 2015 que deixou alguns a suspirar por mais. De facto, este vinho alentejano produzido com uvas de uma única vinha com duas variedades em paridade “importadas”, uma do douro, a Touriga Franca e outra de França, a Syrah, tem estado nas bocas do mundo dada a qualidade apresentada ano após ano. A Wine Enthusiast tem comtemplado este vinho com ótimas notas nas suas últimas colheitas (este incluído). É um vinho que consegue agradar a gregos e a troianos, pois é suave e poderoso, com belos aromas mas sem ser excessivo, com madeira mas controlada, com acidez mas sem se notar. Uma delícia!

Para acabar veio o famosíssimo Pão-de-ló à moda de Ovar da Tia Jacinta, que já o tornou tão famoso que se pode dizer à moda da Tia Jacinta. Estava, como de costume, delicioso, mas o segundo que veio para a mesa estava deslumbrante e o vinho que o acompanhou não destoou nem uma nota. Tratou-se de um vinho de um dos mais importantes e representativos produtores de Vinho do Porto, falo-vos da Taylor’s, que com este 10 anos mostra como de pode fazer um bom tawny mesmo com poucos anos de estágio (para este tipo de vinho). Estes vinhos, que devem ser servidos frios de forma a controlarem o álcool e a doçura, permitindo um maior equilíbrio e um bouquet muito mais rico.

Foi um final feliz que nos fez estar mais tempo que o normal nestes jantares. Bom sinal não acham?

NOTA: Estes artigos serão escritos a quatro mãos de forma a transmitirmos as várias sensibilidades colhidas durante o evento. Alguma incoerência pode pois aparecer na apreciação de algumas situações.

Sobre os Jantares Nómadas by LNL: Esta iniciativa é uma colaboração entre o LNL e o Clube Nómada, do conhecido escanção Hildérico Coutinho, onde saem todos a ganhar: o LNL escolhe o restaurante, o chef escolhe os pratos, o Clube Nómada escolhe os vinhos e você, leitor, usufrui! Como funciona: durante o jantar é servido um menu de degustação de 4 pratos; cada prato é harmonizado com um vinho diferente. Pelo caminho há sempre algumas supresas...

Características

  • Evento profissional
  • Eventos
  • Experiência Premium
  • Jantar romântico
  • Ocasiões especiais
  • Preferido do LNL
  • Vinho a copo

Cozinhas

  • Portuguesa

Localização

Comentários (1)

  • renato aquinoNov 2019

    Boa tarde, só um comentario sobre o serviço de vinhos do Porto, deverão ser servidos á temperatura ambiente, se estiver muito frio no local, deverá se chambrear muito lentamente, não se serve nunca frio, á exceção dos brancos, e não todos.

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