O 9° Jantar Nómada by LNL: Restaurante Lândana Restaurantes

 04/03/2020
No dia 20 de Fevereiro, tivemos mais uma daquelas noites de que vale a pena relembrar e não, não foi pela fantástica qualidade dos vinhos ou da comida, mas sim do fantástico ambiente que estes jantares estão a proporcionar. Será pela presença cada vez mais significativa das mulheres ou será do maior interesse em aprender sobre estas questões dos vinhos e suas harmonizações? Seja qual for a razão, o bom é que estão a cuiar cada vez mais estes jantares…

Para nos receber o Chef Rui Sá brindou-nos com um Spring roll metafulógico com lágrimas ardentes … Na dúvida sobre o que nos iria calhar em sorte resolvemos jogar pelo seguro. Um espumante francês do Loire Domaine du Magalleau – Vouvray – Brut que se mostrou muito vivo e cheio de fruta ajudando a apagar o fogo provocado pelas lágrimas ardentes de gindungo. O rolinho de massa folhada estava a ser apreciado por toda a gente até alguém resolver esclarecer o mistério e dizer que o mesmo estava a enrolar catatos… Foi o descalabro para alguns, que mesmo reconhecendo estar a apreciar o petisco, não mais foram capaz de comer. Outros que nunca tinham tido coragem para comer ficaram agradavelmente surpreendidos. Bela forma de começar, quebrando alguns tabus, mas não fiquem com medo que nunca chegaremos aos pés dos chineses… 

O momento seguinte teve como seu protagonista um dos mais emblemáticos produtos nacionais, o caranguejo do Namibe, que foi apresentado da seguinte forma: Caranguejo do Namibe Gratinado. Esperamos não estar a dizer nenhuma asneira se dissermos que o Chef se terá inspirado na técnica francesa para cozinhar vieiras, as famosas Coquiles de Saint-Jacques. Se foi esse o caso eu diria que foi pena não ter apostado num pouco mais de nata e ervas aromáticas para diminuir a sensação demasiado viva de mar que quase parecia ostra crua. Para acompanhar foi servido, depois de algumas peripécias, um rosé Versátil, Alentejo, 2018, alentejano que, seguindo o típico da região, apresenta uma boa fruta vermelha na boca e uma acidez pouco viva. Isso complicou um pouco a harmonização, pois a sensação de mar era muito forte e a falta de acidez do vinho fazia com que só nos apercebêssemos do vinho no final de boca.

O momento seguinte teve, no que à culinária diz respeito, o seu ponto alto, com um prato extremamente bem apresentado e, melhor ainda, muito bem confecionado e saboroso. Tratou-se de um Tamboril com puré de grão-de-bico envolvido em coentros e molho de caril de marisco que foi acompanhado pelo vinho branco Quinta da Bacalhôa, Alentejo, 2016. Apesar de o vinho estar já a perder alguma frescura a harmonização funcionou muito bem e não faltou quem repetisse…

Se no anterior, foi a comida a brilhar, no momento seguinte a primazia ficou para os vinhos, num combate interessante de tintos Douro vs Alentejo: Perfil Grande Reserva, Douro, 2009 vs Ímpar, Alentejo, 2012. Demonstrando, mais uma vez, os quão díspares são os gostos, houve uma espécie de empate técnico com o Ímpar a se mostrar muito redondinho com bons aromas e sabores a frutas negras mas com um curto final de boca e o Perfil a mostrar a garra do norte com taninos ainda por domar na sua totalidade e bons aromas a cogumelos, terra molhada, bosque, ou seja, os típicos aromas dos vinhos com boa evolução em garrafa e um longo final de boca.

Também nos escribas não houve consenso com o Hildérico e a Nair a preferirem o duriense, sobretudo pela harmonização com a carne, e o Cláudio a preferir o Ímpar alentejano por funcionar bem com o prato como um todo, incluindo a batata doce e o tortulho. Afinal dos gostos não se discutem...Contudo, o Lombo de vaca com redução de tomate, batata-doce à Ponte Nova e molho de tortulho fumado mostrou-se cozinhado em demasia e retirou alguma da beleza que ainda assim era mais que suficiente para ninguém deixar sobras.

O momento final, Bolo de mandioca fresca e ginguba com sorvete de limão veio abrilhantar este agradável jantar. O espumante Cavatina Gold um moscatel italiano que é uma vedeta em Angola não era afinal conhecido por todos, havendo quem ficasse agradavelmente surpreendido pelo espumante e pela harmonização deste tipo de bebida com sobremesas.

NOTA: Estes artigos serão escritos a quatro mãos de forma a transmitirmos as várias sensibilidades colhidas durante o evento. Alguma incoerência pode pois aparecer na apreciação de algumas situações.

 Sobre os Jantares Nómadas by LNL: Esta iniciativa é uma colaboração entre o LNL e o Clube Nómada, do conhecido escanção Hildérico Coutinho, onde saem todos a ganhar: o LNL escolhe o restaurante, o chef escolhe os pratos, o Clube Nómada escolhe os vinhos e você, leitor, usufrui! Como funciona: durante o jantar é servido um menu de degustação de 4 pratos; cada prato é harmonizado com um vinho diferente. Pelo caminho há sempre algumas supresas...

Características

  • Evento profissional
  • Eventos
  • Experiência Premium
  • Ocasiões especiais
  • Preferido do LNL
  • Vinho a copo

Cozinhas

  • Angolana

Localização

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